DÚVIDA – UMA RELIGIÃO UNIVERSAL

SUMÁRIO

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I – A questão

A verdade é o resultado do confronto da ideia com a realidade. Há a verdade individual, decorrente de cada momento da vida de cada indivíduo, a verdade coletiva, decorrente da aceitação da verdade individual por um ou mais indivíduos e a verdade absoluta, jamais conhecida e, talvez, incognoscível, o mistério.

A verdade absoluta, jamais conhecida e, talvez, incognoscível, o mistério, se faz presente, como ideia, na religiosidade, sentimento que decorre da sensação de incompletude do indivíduo em consequência da ignorância sobre a sua imagem e o seu destino e a origem e o destino do universo.

A religiosidade, seja como produto da imaginação, seja com o lídimo pensar sobre uma evolução futura, é vital para o indivíduo e para a humanidade, constituindo-se um direito de cada um crer no que necessita crer em cada momento do seu existir. Antes de me manifestar sobre o assunto, registro aqui o relato de cinco grandes personalidades dos tempos antigos e de cinco grandes personalidades dos tempos modernos.

II – Os antigos

Máximas de Ptah-hotep

Sinopse

1. Humildade para aprender

Toma conselho tanto do ignorante quanto do instruído.

2.4. Conduta em Discussões

Se encontrares um contendor superior a ti, não o conteste em seu argumento. Se for um ser igual, supere-o pelo silêncio. Se for um inferior, deixe-o em paz.

5. Respeito à Justiça

Se fores um homem que dirige, que tua conduta seja irrepreensível. A justiça termina por prevalecer.

6. Punição à Cobiça

Não trames contra as pessoas. Vive em meio à paz e o que eles derem virá por si mesmo.

7. Conduta à mesa

Se estiveres entre os convidados à mesa não lhes fale antes que eles se voltem a ti. Quando o grande está atrás da comida oferecerá a quem favorece.

8. A reprodução de Mensagens

Dá a mensagem tal qual lhe foi dita. Não fales mal de ninguém, grande ou pequeno.

9. Necessidade de Discrição

Não te gabes diante de teu vizinho. Não humilhe aqueles que não têm o que tens.

10. Reconhecimento do Valor

Se fores pobre e servires um homem de distinção, não lembres a ele que outrora também foi pobre.

11. Aproveitamento de Tempo

Segue o teu coração enquanto viveres. Não gastes o dia além do necessário.

12. Conduta com o Filho

Faze por teu filho tudo de bom. Mas se um filho causar problemas repreenda-o severamente.

13. Respeito ao Protocolo

Se estiveres em uma antecâmara, levanta e senta como convém à tua posição. Espera a tua vez.

14. Moderação no Trato com as Pessoas

Se estiveres em companhia de outros, conquista partidários sendo sereno, de coração aberto.

15. Relato de uma Missão

Relata tua missão sem nada encobrires.

16.17. Exercício da Autoridade

Se fores um homem que dirige, tuas decisões devem andar de acordo com tuas ordens. Ouve com calma a exposição de quem pleiteia, pois, um ouvinte atento é um conforto para o coração.

18. Evitar as Mulheres

Se estiveres em casa alheia, evita aproximar-te das mulheres.

19.20. Os Males da Avareza

A avareza é uma junção de todos os males. Não queira mais que o teu quinhão.

21. Conduta com a Esposa

Ama tua mulher com ardor. Afaste-a de uma posição de poder. Reprime-a. Uma vagina é o que ela oferece.

22. Generosidade com os Amigos

Favorece teus amigos com o que possuis. Recorra aos amigos quando não há paz no lar.

23. Repelir Calúnias

Não repitas uma calúnia, nem dês ouvido a ela. Conta uma coisa que viste, não que ouviste.

24. Conduta em um Conselho

Teu silêncio é melhor que a tagarelice. Só fales quando tiveres certeza de que compreendes.

25. Autocontrole ao Ordenar

Inspira respeito pelo conhecimento e pela serenidade no falar. Só ordenes quando necessário.

26.27. Respeito ao Superior

O Superior é o provedor junto com Deus, e o que deseja deve ser feito. A boa vontade reforça a afeição. Permanece com teu Superior e ele garantirá sustento.

28.29. Imparcialidade do Juiz

Se fores um magistrado de prestígio, não sejas parcial, não pendas para um lado.

30. Soberba da Riqueza

Não te exibas em tua riqueza, que veio a ti como dádiva de Deus.

31. Respeito à Hierarquia

Não te oponhas ao teu superior pois se vive mais quando se é dócil.

32. Relação Homossexual

Não copules com um rapaz efeminado. Que ele não passe a noite a fazer o que é ilícito.

33. Prudência na Amizade

Se o amigo fez algo que te desgosta, ainda assim seja cordial com ele, não seja hostil com ele, não o espezinhes.

34. Conduta na Distribuição de Alimentos

O alimento a ser dividido é cobiçado. O que queixa que tem a barriga vazia, torna-se um acusador, não se deve tê-lo por perto.

35. Benevolência com os Amigos

Não seja áspero com teus amigos, pois o que pertence a um pode pertencer a outro.

36. A Punição Exemplar

Pune com firmeza, assim o castigo do transgressor torna-se um exemplo.

37. Conduta com a Concubina

Se tomares uma mulher como concubina, ela está duplamente protegida na lei. Sê bom para ela. Uma mulher alegre distribui felicidade.

Epílogo

É bom falar para a posteridade.

Agindo com retidão está livre da mentira.

Quem ouve é sadio, e sua lembrança permanecerá.

Se falares com bom resultado, todos os teus planos serão como devem.

Sê cauteloso ao falares e só dirás coisas relevantes.

O bom filho fará o certo, pois o seu coração é reto.

A Tábua de Esmeralda

(tradução de Isaac Newton)

1. Isto é verdade sem mentira, certo e verdadeiríssimo

2. Que o que está em baixo é como o que está em cima e o que está em cima é como o que está em baixo para fazer os milagres da coisa única.

3. E todas as coisas foram criadas e surgiram do UM através do UM: então todas as coisas nascem desse UM por adaptação.

4. O Sol é o seu pai, a Lua é a sua mãe.

5. O vento o levou em sua barriga, a terra é o seu alimento.

6. O pai de toda perfeição no mundo inteiro está aqui.

7. A sua força ou potência é inteira se ele for transformado em terra.

7a. Separe a terra do fogo, o sutil do grosso suavemente com grande habilidade.

8. Ele ascende da terra até o céu e desce de novo à terra e recebe a força das coisas superiores e inferiores.

9 e 10. Através disso você terá a glória do mundo inteiro e toda a obscuridade fugirá de você.

11. A sua força está acima de toda a força, porque ela faz desaparecer toda coisa sutil e penetra em toda coisa sólida.

12. Assim o mundo foi criado.

13. Disso existem e vêm adaptações admiráveis onde os meios (ou processo) está aqui nisso.

14. Por isso sou chamado Hermes Trismegisto, tendo as três partes da filosofia do mundo inteiro.

15. Assim expliquei a operação do Sol, que está realizada e terminada.

O Divino Pimandro

Discurso

1. Todas as coisas que são, são móveis, somente as coisas que não são, são imóveis.

2. Todo Corpo é mutável.

3. Nem todo Corpo é dissolúvel.

4. Alguns Corpos são dissolúveis.

5. Toda coisa viva não é mortal.

6. Nem toda a coisa viva é imortal.

7. Tudo que é dissolúvel é também corruptível.

8. Aquilo que permanece parado sempre é imutável.

9. Aquilo que é imutável é eterno.

10. Aquilo que é sempre feito é sempre corruptível.

11. Aquilo que é feito somente uma vez nunca é corruptível, nem torna-se qualquer outra coisa.

12. Primeiro Deus; em segundo lugar, o Mundo; em terceiro, o Homem.

13. O Mundo para o Homem, o Homem para Deus.

14. Da alma, a parte que é sensível é mortal, mas a que é racional é imortal.

15. Toda essência é imortal.

16. Toda essência é imutável.

17. Toda coisa que é, é dobrado.

18. Nenhuma das coisas que é, permanece.

19. Nem todas as coisas são movidas pela alma, mas toda coisa que é, é movida pela alma.

20. Toda coisa que sofre é sensível; toda coisa que é sensível, sofre.

21. Toda coisa que é triste, também se alegra, e é uma criatura viva mortal.

22. Nem toda coisa que alegra é também triste, mas é uma coisa viva eterna.

23. Nem todo corpo é doente; todo corpo que é doente é dissolúvel.

24. A mente em Deus.

25. Razão no Homem.

26. Razão na mente.

27. A mente está vazia de sofrimento.

28. Nenhuma coisa é um corpo verdadeiro.

29. Tudo que é incorpóreo está liberto da mentira.

30. Toda coisa que é feita é corrompível.

31. Nenhum bem sobre a Terra, nenhum mal nos céus.

32. Deus é bom, o Homem é mau.

33. Bem é voluntário, ou de seu próprio acordo.

34. Mal é involuntário ou contra os seus desejos.

35. Os Deuses escolhem coisas boas, como coisas boas.

36. Tempo é uma coisa divina.

37. Lei é humana.

38. Malícia é o alimento do mundo.

39. Tempo é a corrupção do Homem.

40. Qualquer coisa no céu é inalterável.

41. Todas as coisas na Terra são alteráveis.

42. Nada no céu é servo, nada sobre a Terra é livre.

43. Nada é desconhecido no céu, nada é conhecido sobre a Terra.

44. As coisas sobre a Terra não se comunicam com as coisas no céu.

45. Todas as coisas no céu são incensuráveis, todas as coisas sobre a Terra são sujeitas a repreensão.

46. O que é imortal não é mortal; o que é mortal não é imortal.

47. O que é plantado, nem sempre é gerado; mas o que é gerado, sempre é plantado.

48. Para os corpos dissolvíveis, existem dois tempos, um de plantar para gerar, e outro de gerar para morrer.

49. Para um corpo maduro, o tempo é somente para a geração.

50. Corpos dissolúveis aumentam e diminuem.

51. Matéria dissolúvel é alterada em contrários; para saber, corrupção e geração, mas matéria eterna o é em si própria, e como ela própria.

52. A geração do Homem é corrupção, a corrupção do Homem é o início da geração.

53. Aquilo que gera ou pari o outro, é ele próprio um gerado ou parido por outro.

54. Das coisas que são, algumas são em corpos, algumas em suas ideias.

55. Qualquer coisa que pertença à operação ou ao trabalho, estão em um a cada corpo.

56. Aquilo que é imortal, não partilha nada com aquilo que é mortal.

57. Aquilo que é mortal, não vai para um corpo imortal, mas aquilo que é imortal, vai para aquilo que é mortal.

58. Operações ou trabalhos não são transportados para cima, mas descem para baixo.

59. As coisas sobre a terra não geram benefícios para o céu, mas todas as coisas no céu beneficiam e ajudam as coisas sobre a terra.

60. O céu é um receptáculo capaz e adequado para os corpos definitivos, a terra dos corpos corrompíveis.

61. A Terra é bestial, o céu é racional.

62. Estas coisas que estão no céu são sujeitas e postas abaixo dele, mas as coisas da Terra, são postas sobre ela.

63. O céu é o primeiro elemento.

64. Providência é a ordem divina.

65. Necessidade é o Ministério ou Servo da providência.

66. Fortuna é a produção ou efeito daquilo que é sem ordem; o ídolo da operação, uma fantasia mentirosa ou opinião.

67. O que é Deus? O imutável e inalterável bem.

68. O que é o Homem? O mutável mal.

O Livro de Enoch

Sinopse

1. A terra será submersa. Os seres serão julgados.

2.O julgamento: Ele chega em dez mil de seus santos.

3. Os que habitam nos céus sabem o que se passa em baixo, desde o começo até o fim.

4. Cada árvore se cobre de folhas e as perde em seguida, excetuando-se quatorze árvores privilegiadas.

5. O Sol aquece a Terra, enquanto o solo é penetrado pelo calor tórrido.

6. Todas as criações seguem seu rumo. Os pecadores serão execrados. Os justos serão eleitos.

7. Seu chefe e seus dezessete ajudantes, e duzentos outros anjos coabitaram com as filhas dos homens, elegantes e belas, que conceberam e partejaram gigantes, ferozes e antropófagos.

8. Os anjos ensinaram as armas de guerra, os enfeites, os encantamentos, as propriedades das raízes, os signos, a astronomia.

9. Ocorreram os crimes mais abomináveis. Por tantos crimes, que devemos fazer aos maus?

10. O Altíssimo enviou o filho de Lamech para desvelar-lhe o grande cataclismo e ensinar-lhe os meios de escapar e fazer a paz e a justiça em aliança com os justos.

11. O Senhor diz a Enoch: os impuros e corrompidos jamais obterão paz ou misericórdia.

12. Enoch teve um sonho e uma visão, e dirigiu aos anjos caídos palavras de justiça e reprimendas que eles mereciam.

13. Outra visão: o Glorioso e o Magnífico estava em um trono cercado de fogo brilhante, e ninguém podia olha-lo face a face, nem os anjos, nem se aproximar Dele. Então Ele me disse, aproxima-te e vem ouvir minha santa palavra.

14. Então falou-me: Dize aos vigilantes do céu que os espíritos dos gigantes, filhos deles, invisíveis a todos os olhos, trarão à terra os flagelos de toda espécie, a peste, a guerra, a fome.

15. Dize-lhes então: jamais obtereis graça, jamais obtereis paz.

16. Conduziram-me para um lugar elevado, onde vi relâmpagos e trovões. A seguir transportaram-me às vizinhanças de uma água que jorrava do ocidente para o poente. Vi, também, a embocadura e todos os rios do mundo e do abismo.

17. Depois cheguei aos reservatórios de todos os ventos, cada qual com suas funções. Vi o sendeiro dos anjos. Da extremidade da terra, voltei-me para o sul, onde queimavam, dia e noite, seis montanhas de pedras preciosas, três do lado do oriente, três do lado do sul. Vi também o fogo ardente que queimava sobre as montanhas. Vi uma região imensa onde as águas estavam reunidas. Vi as fontes da terra, escondidas nas colunas abrasadas dos céus, onde vi fogos inumeráveis jorrando. Vi um lugar deserto. Vi a prisão das estrelas que transgrediram os mandamentos de Deus.

18. E eu, Enoch, apenas eu, vi o fim de todas as coisas, e não foi permitido a ninguém vê-lo como eu.

19. Seis anjos velam.

20. Percorri um longo percurso para alcançar um deserto. Também lá vi sete estrelas que transgrediram os mandamentos do Altíssimo Deus. Daí passei para um lugar de terror, um fogo imenso, a prisão dos anjos.

21. Vi uma grande e alta montanha com quatro receptáculos. Rafael me disse que era onde os bem-aventurados ficavam até serem julgados. Ouvi uma voz acusadora, e Rafael disse que era a voz de Abel acusando Caim. Interroguei-o acerca do juízo universal, e ele explicou que há três classes distintas entre os espíritos dos justos e dos pecadores mortos.

22. Em um lugar um fogo ardente e perpétuo eu vi. Raquel disse que é o fogo que abrasa todos os luminares do céu.

23. Cheguei a um lugar onde percebi sete montanhas brilhantes, com o trono majestoso coroado por árvores odoríferas, parecendo tamareiras. Miguel disse que uma árvore dessas será dada aos justos e humildes e seus frutos serão reservados para os eleitos.

24. Desse lugar dirigi-me para o centro da Terra, e percebi um lugar afortunado e fértil. Em meu espanto admirei o rochedo e os vales.

25. Urir explicou: um desses vales é maldito, reservado aos bláfemos contra Deus, guardando castigo.

26. Dirigi-me deste ponto para o lado do oriente, para uma montanha que se elevava em meio ao deserto, coberta de árvores nascidas de semente, onde se via uma catarata formada de várias outras.

27. Dirigi-me então para uma outra direção do deserto, para o oriente da montanha, onde divisei árvores de escol, sobretudo as aromáticas de suave odor, o incenso, a mirra. Havia, não muito longe, uma elevação no oriente.

28. Vi um lugar com vales onde se escoavam águas que não se esgotariam jamais. Vi o lentisco e o cinamomo. Dirigi-me para o oriente.

29. Vi uma outra montanha, repleta de árvores onde escoava uma água semelhante ao neketra, chamada Sarira e Calbanen. Vi aloés. Essas árvores estavam carregadas como amendoeiras e o fruto que produziam ultrapassava qualquer perfume.

30. Voltei-me para o norte e percebi sete montanhas cobertas de lavanda, canela e papiro. Rumei para o oriente, onde havia muitas árvores altas, cobertas de flores. Lá havia também uma árvore da ciência, cujos frutos iluminam a inteligência daquele que deles se nutrem. Seu avô e sua avó deles usufruíram, viram que estavam nus e foram expulsos do Paraíso terrestre.

31. Dirigi-me para os confins da terra e lá vi grandes animais, com aparências diferentes, e pássaros dotados de diferentes vozes. As portas do céu estavam abertas e delas vi saírem estrelas.

32. Dirigi-me aos confins da terra. Vi três portas do céu abertas. Por elas escaparam os ventos do norte, dois violentos e um suave.

33. Dali dirigi-me para o ocidente, para os confins da terra. Vi três portas com o lado setentrional, todas do mesmo tamanho.

34. A seguir dirigi-me para o sul, para os confins da terra. Lá havia três portas, por onde passavam o rocio, a chuva e o vento. Depois dirigi-me para o oriente, onde vi três portas do céu, com abertura menor, donde saiam estrelas indo para o ocidente, numa rota brilhante e visível.

35. Eis a segunda visão: O que recebi é verdadeiramente uma porção da vida eterna. Eram trezentas parábolas que me obriguei a transmitir aos habitantes desse mundo.

36. Quando a justiça se manifestar, os senhores da terra deixarão de ser poderosos e elevados, sendo-lhes impossível contemplar os santos de frente, pois a luz dos justos e dos eleitos só pode ser contemplada pelo senhor dos espíritos.

37. O vento me transportou às fronteiras do céu. Tive uma outra visão. Vi a morada e a estadia tranquila dos santos sob as asas do Senhor dos espíritos.

38. Sob as quatro asas do Senhor dos espíritos, vi ainda outros homens. Ouvi quatro vozes. Soube pelo anjo que estava junto comigo de quem eram as vozes. Ele disse, são as vozes dos santos Miguel, Rafael, Gabriel e Phanuel, os quatro anjos do Deus altíssimo.

39. A seguir vi os segredos dos céus e do paraíso em todas as partes; e os segredos das ações humanas, cada um segundo seu peso e seu valor. Meus olhos contemplaram ainda os segredos do raio, do trovão, dos ventos, da neve, do granizo, das nuvens, da lua, do sol.

40. A sabedoria não encontrou morada na terra em que pudesse repousar sua cabeça, eis porque reside no céu e a iniquidade apresentou-se aos filhos dos homens que a receberam.

41.Vi um outro esplendor e as estrelas do céu, e quis saber seus nomes. Soube que eram os nomes dos justos que estão na terra e que acreditam no nome do Senhor dos espíritos.

42.Vi ainda uma outra coisa notável por seu esplendor, emanava das estrelas e tornava-se brilhante, mas não se separava.

43. 2a. Os pecadores que renegam o nome do Senhor dos espíritos serão reservados para o dia do castigo e da vingança. Mas os justos, eu os fartarei com minha paz.

44. Lá, vi então o Ancião dos dias, e com ele um outro que tinha a figura de um homem, e que o anjo disse ser o filho do homem, aquele que arrancará reis e poderosos de seu sono voluptuoso, e seus fiéis serão perseguidos pelo nome do Senhor dos espíritos.

45. Vi o Ancião dos dias sentado no trono de sua glória. Todas as potências do céu se mantinham curvadas diante dele e ao seu redor. O tempo da justiça era chegado.

46. Percebi a fonte da justiça que jamais se esgota e donde emanam uma multitude de pequenos riachos que são os ribeiros da sabedoria. O Filho do homem será o bastão dos justos e dos santos; ele será a luz das nações.

47. A sabedoria se escoa como água e a glória diante dele é infindável. Com ele habita o espírito da sabedoria e da inteligência, o espírito do saber e da potência.

48. Nesses dias, os santos e os eleitos terão sua vez. Quem quer que não se penitencia perecerá.

49. Ele separava os justos e os santos dos maus.

50. Fui levado por um turbilhão e carregado para o ocidente. Vi uma montanha de bronze, uma de ferro, uma de prata, uma de ouro, a quinta de um metal líquido, e a sexta de chumbo. Todas cairão aos pés do Eleito e para nada servirão.

51. Os justos viverão pelos séculos e séculos. Vi os anjos dos castigos que preparavam os instrumentos pelos quais os reis e poderosos da terra devem perecer.

52. O anjo da paz que me acompanhava disse: todos aqueles que habitam na terra serão exterminados.

53. Nesses dias, o abismo abrirá sua goela devoradora e devorará os pecadores que assim desaparecerão diante da face dos eleitos.

54. Então todos se prosternaram e adoraram o Senhor dos espíritos. Este é o final da segunda parábola.

55.3a. Comecei então a produzir a terceira parábola. As trevas serão dissipadas e a luz crescerá diante do Senhor dos espíritos.

56. A seguir compreendi todos os segredos dos raios e dos relâmpagos, todos benfazejos.

57. Quando vierem o dia, e as potências, o castigo e o julgamento que o Senhor dos espíritos preparou para os que negam, a justiça de Deus será satisfeita, e virá a hora da misericórdia.

58. Então, o anjo que estava comigo me revelou os primeiros e os últimos segredos sobre o céu e a terra. Os ventos, o brilho da luz da lua, as estrelas, os trovões, o raio, a chuva, o jardim dos justos.

59. Vi anjos com longas cordas, e o anjo que estava comigo disse que vão medir a fé e confirmarão a palavra da justiça.

60. O Altíssimo revelou o Filho do homem, que estava oculto, e os santos e os eleitos habitaram com Ele.

61. Dirão uns aos outros: Nossas almas estão fartas das riquezas da iniquidade. E o senhor disse: Eis o que decretou minha justiça.

62. Vi outras visões nesse lugar deserto. Vi os anjos que desceram do céu à terra e revelaram segredos aos filhos dos homens e ensinaram-lhes a conhecer a iniquidade.

63. Naquele tempo Noé viu a terra se inclinar e ameaçar ruir. Eis porque se pôs a caminho para o lado da habitação do seu avô Enoch; que lhe disse que os homens descobriram o segredo que não deveriam conhecer e que, portanto, todos morrerão. Só Noé se salvará porque é puro e inocente. Seus descendentes serão uma raça de justos e santos.

64. O Senhor dos espíritos proibiu aos anjos que prestassem qualquer ajuda aos homens.

65. A palavra de Deus se fez ouvir nos meus ouvidos e ela dizia: Noé, tua existência é isenta de crime, cheia de amor e de justiça. Vi este vale e nele havia uma grande confusão.

66. Depois disso meu avô Enoch ensinou-me todos os segredos contidos em seu livro e explicou-me as parábolas que lhe haviam sido reveladas.

67. A sentença foi pronunciada contra os culpados. Eram 21 os nomes dos príncipes e dos anjos culpados. A palavra do Filho do homem subsistirá sozinha diante da presença do Senhor dos espíritos. Eis a terceira parábola de Enoch.

68. Desde então não mais permaneci entre os filhos dos homens, mas colocou-me entre dois espíritos, entre o setentrião e o ocidente. Ali vi os primeiros padres, os santos que habitariam esses belos lugares pela eternidade.

69. Depois disso, meu espírito se esconde e se evola para os céus. Percebi os filhos dos santos anjos marchando sobre um fogo ardente, suas vestes eram brancas e suas faces transparentes como o cristal. Vi dois rios com um fogo brilhante como o jacinto. Então prosternei-me diante do Senhor dos espíritos. E Miguel, um dos arcanjos, tomou-me pela mão e conduziu-me ao santuário misterioso da clemência e da justiça. Havia um edifício construído com pedras de cristal, cercado de um fogo vivo. Serafins, querubins e ofanins, anjos inumeráveis. Miguel, Rafael, Gabriel, Fanuel. O Ancião dos dias. Disse um anjo: uma longa sequência de dias ser-te-á dada com o Filho do Homem.

70. Uriel, o santo que estava comigo e que tudo governa, explicou-me passo a passo, suas ordens, suas épocas, seus nomes e lugares. Ensinou-me a primeira lei, a do Sol.

71. Vi a segunda lei, a da lua.

72. Então vi uma outra lei, que consiste na determinação dos meses lunares. Compreendi os anos lunares. O ano se forma pelo curso do sol ou da lua.

73. Compreendi as estações, os anos e os dias. E vi no céu o carro das estrelas que girava sobre o mundo sem jamais declinar. Uma dentre elas é mais brilhante que as outras; esta gira pelo mundo inteiro.

74. Vi doze portas para todos os ventos, que sopram para todos os lados. Todas suas leis, todas suas influências, boas ou más, eu tas expliquei, ó meu filho Matusalém.

75. Cada vento toma uma direção. Vi cinco montanhas donde saem os cristais de gelo. Vi sete rios na terra, e todos se lançam no mar.

76. Uriel revelou-me ainda uma outra lei, além das do sol e da lua. Trata-se da maneira pela qual a luz emanada do sol se esparge sobre a lua.

77. E agora meu filho Matusalém, te ensinei tudo e a descrição do céu está completa.

78. Uriel me disse: Eis que fiz com que tudo conhecesses, ó Enoch. Para os pecadores faltarão sementes, a lua mudará seu curso, o céu ardente fará a terra estéril. Os habitantes da terra perverterão todas as suas vias. Morrerão todos.

79. E ele me disse: Ó Enoch, procura compreender este livro que caiu do céu. Compreendi tudo que estava escrito. Então os três santos depuseram-me diante da porta da minha casa e me deram um ano para ensinar tudo a Matusalém e aos meus filhos. Findo o prazo voltei para meus irmãos, louvando e bem-dizendo a Deus.

80. Ora, meu filho Matusalém, tudo eu te disse, tudo te escrevi, tudo te revelei. Transmita esta sabedoria à sua posteridade.

81. Tive duas visões antes de me casar. Numa delas, descansava na casa de meu avô Malaleel e vi o céu brilhante e radioso; vi a terra devorada por um grande golfo, e montanhas suspensas acima de montanhas, colinas tombavam sobre colinas, as árvores se fendiam em toda sua altura e eram precipitadas no abismo. Acordei gritando e contei meu sonho ao meu avô que me explicou: haverá uma grande catástrofe vinda do céu. Implora a Deus para que não pereçam todos. Levantei-me, supliquei ao Senhor, escrevi minhas preces pelas gerações do mundo, dando ao meu filho Matusalém todas as explicações que este pode desejar.

82. Senhor meu Deus, que o gênero humano não pereça inteiramente. Não abandones a terra desolada, e que ela não seja nunca destruída.

83. A seguir tive outra visão que vou te contar meu filho. Antes de esposar tua mãe tive uma visão no meu leito. Um touro branco saiu da terra, com uma vitela e dois bezerros, um negro e outro vermelho. O negro ataca o vermelho e o persegue por toda a terra. Não vi mais o vermelho. O vermelho tinha uma vitela e vi muitos touros nascidos desse par. A primeira vitela procurou o bezerro vermelho e não o encontrou. O touro se aproximou dela e ela pôs no mundo um touro branco. Depois disso vieram muitos outros touros e vitelas. Vi ainda um boi branco e dele saíram muitos outros bois que lhe eram semelhantes.

84. E eis que uma estrela caiu do céu e colocou-se entre esses touros. Outros touros grandes e negros mudavam de pastagens e de estábulos assim que seus bezerros começaram a se lamentar com eles. Vi muitos outros astros que desciam e se precipitavam para a estrela única. Os touros cobriram as vitelas, estas, tendo concebido, colocaram no mundo elefantes, camelos e asnos. Estupefatos os touros começaram a mordê-los e a atacá-los com seus cornos. Os elefantes devoraram os touros e eis que todos os habitantes da terra fremiram diante desse espetáculo e fugiram espantados.

85. Saíram três homens, tomaram-me pela mão e me levaram para um lugar elevado, acima da terra, mostraram-me uma alta torre cercada de colinas, e disseram-me para ver o que ia acontecer com esses elefantes, camelos e asnos, as estrelas e as vitelas.

86. O quarto homem, o primeiro a chegar, pegou a primeira estrela, atou-lhe pés e mãos e lançou-a num vale estreito, profundo, horrível e tenebroso. Um outro dos quatro pegou um gládio e deu-o aos elefantes, camelos e asnos, que começaram a se golpear mutuamente, e toda a terra estremeceu. Um outro homem dos quatro apanhou todas as grandes estrelas, cujas regiões sexuais eram semelhantes às partes sexuais dos cavalos, e lançou-as todas, pés e mãos atados, nas cavernas da terra.

87. Então um dos quatro homens aproximou-se dos outros, e ensinou-lhes tais mistérios que eles tremiam. Elevei novamente meus olhos para o céu e percebi uma grande abóboda; e havia acima sete cataratas que derramavam correntes de chuva numa vila. As fontes da terra se expandiram sobre ela e a vila ficou totalmente coberta de água. Todos os touros que lá estavam pereceram. Um navio flutuava na superfície dessas mesmas águas. Todos os elefantes, camelos e asnos também pereceram. Então a terra apareceu. O boi branco, que tinha se tornado homem, saiu da arca e com ele três touros. E os animais dos campos e os pássaros começaram a se multiplicar. E houve entreveros entre eles; bois, onagros, javalis, ovelhas, lobos, leões, tigres e toda espécie de animais. Os javalis lançaram-se sobre as ovelhas, queimaram a torre consagrada ao Senhor e destruíram o redil. Aquele que escrevia anotava tudo. Três ovelhas, voltando do cativeiro, reconstruíram a torre. Na mesa frente a torre colocaram pão impuro e poluído, pois elas estavam cegas, e também os pastores, e ninguém os defendia. Aquele que escrevia o livro, levou-o para o Senhor.

88. Notei que 37 pastores retomaram os cuidados e também tudo abandonaram, e também os outros. O encarregado do livro subiu e remeteu-o ao Senhor das ovelhas e depois partiu. Todos os pássaros do céu e os cães, devoraram as ovelhas. Vi um trono construído numa região afortunada. Nasceu um bezerro branco e todos os animais se transformaram em bezerros brancos e o primeiro deles tornou-se verbo. Então acordei.

89. E agora, ó meu filho Matusalém faze com que compareçam todos os teus irmãos e agrupa-os diante de mim todos os filhos de tua mãe. Pois a voz interior me anima, o espírito do alto se apossa de mim, revelar-vos-ei o que deve suceder na sequência das idades. O senhor de toda Santidade aparecerá em sua cólera e inflingirá aos culpados um castigo terrível. E agora, deixai-me, meus filhos, traçar-vos os sendeiros da justiça e os da iniquidade. Escutai-me, então, ó meus filhos! Caminhai na via da justiça, evitai a via da iniquidade.

90. Que o homem justo caminhe no sendeiro da justiça, nas vias da bondade e da graça.

91. Finalmente Enoch começou a falar segundo um livro, as próprias tábuas do céu. E ocorrerá então um primeiro fim e apenas um homem será salvo. Na segunda semana o Senhor porá em execução o decreto contra os pecadores. Na, terceira semana, um homem será escolhido para ser a haste de um povo forte e justo, e depois dele, a planta da justiça crescerá para sempre. Na quarta semana, os santos e justos terão visões; a ordem nas gerações será estabelecida e construir-se-ão uma morada para eles na quinta semana. Na sexta semana a casa pegará fogo e a raça dos eleitos será dispersa por toda a terra. Na sétima semana haverá uma raça perversa; haverá também os justos e os eleitos. Na oitava semana virá a justiça para os opressores. Na nona semana será o juízo universal. Na décima todos os homens caminharão na senda da justiça. Na sétima parte da décima semana ocorrerá o julgamento eterno, que será exercido contra os vigilantes. O primeiro céu será elevado e desvanecer-se-á, o segundo aparecerá e todas as potências celestes brilharão com um esplendor sete vezes maior. Não haverá, então, pecado.

92. E agora meus filhos, exorto-vos amar a justiça, a caminhar em seus sendeiros. Aqueles que exaltam a iniquidade e a perversão e que sustentam a farsa jamais obterão a paz.

93. Os justos não temerão os maus. Desgraça sobre vós pecadores.

94. Tende esperança, justos, pois os pecadores perecerão diante de vós.

95. Os justos têm confiança, mas os pecadores perecerão no dia da iniquidade.

96. Os ímpios e supersticiosos, os mentirosos e idólatras, perecerão todos. Mas, nesses dias, felizes serão aqueles que tiverem recebido a palavra de sabedoria.

97. Nesse dia, o pecador não temerá esgorjar seu irmão mais honrado que ele.

98. Os filhos da terra terão a compreensão de todas as palavras contidas neste livro. Desgraça sobre vós pecadores!

99. Olhai o céu, filhos do céu; contemplai as obras do Altíssimo e temei-o e não cometei o mal em sua presença.

100. O fim dos justos foi acompanhado de paz e calma. Mas, vós, pecadores objetos de execração eterna, não haverá saúde para vós.

101. A felicidade, a alegria e a glória vos estão preparadas e esperam aqueles que morrem na justiça e na santidade. Desgraça sobre vós, pecadores, pois não tereis paz.

102. Quanto a vós, ó justos, juro que no céu os anjos lembram diante do trono do Todo-Poderoso vossa justiça.

103. Naqueles tempos, o Senhor ordenará o agrupamento dos filhos da terra, a fim de que ouçam as palavras da sabedoria.

104. Depois de algum tempo, meu filho, Matusalém, deu uma mulher a seu filho Lamech. Esta pôs no mundo um filho que parecia filho de um anjo. Ele pediu ao pai para procurar Enoch, seu avô, e perguntar se era um presságio. Então, eu, Enoch, respondi-lhe: uma grande catástrofe virá sobre a terra, um dilúvio a inundará e a devastará durante um ano. O filho de Lamech é Noé, e se salvará com seus três filhos. Pude ler nas tábuas do céu que as gerações se sucederão até que surja a raça santa. Eis um outro livro que Enoch escreveu para seu filho Matusalém e para aqueles que devem vir depois dele e conservar, tanto quanto ele, a palavra e a simplicidade de seus costumes. Vi uma vasta fogueira e perguntei a um dos anjos o que era aquilo, e ele respondeu que era para os pecadores e blasfemos. Eis o que Deus disse: Conduzirei à morada dos esplendores aqueles que amam meu nome.

Fim da visão do profeta Enoch, que a benção e a graça do Senhor desçam sobre aquele que o ama. Assim seja.

O Caibalion

Sinopse

Foi do Antigo Egito que vieram os ensinamentos esotéricos e ocultistas fundamentais, que ao longo de milênios, têm influenciado as filosofias de todas as raças, nações e povos. O Egito, a terra das Pirâmides e da Esfinge, foi a pátria da Sabedoria Secreta e dos Ensinamentos Místicos. Todas as nações receberam dele a Doutrina Secreta. A Índia, a Pérsia, a Caldeias, a Média, a China, o Japão, a Assíria, a antiga Grécia e Roma e outros países antigos aproveitaram-se fartamente da exorbitância de conhecimentos que os Hierofantes e Mestres da Terra de Isis ministravam aos interessados nos Preceitos Místicos e Ocultos que as mentes superiores dessas antigas terras haviam reunido.

Entre os Grandes Mestres do Antigo Egito, existiu um que eles proclamaram como o “Mestre dos Mestres”, conhecido pelo nome de Hermes Trismegisto, pai da Ciência Oculta, fundador da Astrologia e descobridor da Alquimia. A história não registra qual foi sua pátria, mas o Egito registra sua permanência nos primeiros tempos das mais remotas dinastias, muito antes do tempo de Moisés, como contemporâneo de Abraão, que teria adquirido uma parte do seu conhecimento místico do próprio Hermes.

Após sua partida deste plano da existência, que, dizem, durou trezentos anos, foi deificado pelos egípcios como Thoth, e, na Antiga Grécia, como Hermes, o Deus da Sabedoria. Os egípcios chamavam-no, também, Trismegisto, “ três vezes grande”. O termo “hermético”, ainda hoje, significa “Secreto”, “fechado de tal maneira que nada escapa”. Os Preceitos Herméticos estão espalhados em todos os países e em todas as religiões, mas A Doutrina Secreta não se identifica com nenhuma seita religiosa particular nem se cristaliza em um credo.

São os seguintes os Sete Princípios em que se baseia toda a Filosofia Hermética: o do Mentalismo, o das Correspondência, o da Vibração, o da Polaridade, o do Ritmo, o de Causa e Efeito, o de Gênero.

O Princípio do Mentalismo: “ O Todo é mente; o Universo é Mental” O Todo, que é a Realidade Substancial que subjaz a todas as manifestações e aparências que conhecemos pelo nome de “Universo Material”, “Fenômeno da Vida”, “Matéria”, “Energia”, em suma, tudo o que é evidente a nossos sentidos materiais, é Espírito, que em si mesmo, é incognoscível e indefinível, é uma Mente Universal, Infinita e Vivente.

O Princípio da Correspondência: “ Assim em cima como em baixo; assim em baixo como em cima”. Este princípio é de aplicação e manifestação universal nos diversos planos do universo material, mental e espiritual: é uma Lei Universal. Ele permite que o homem raciocine com inteligência e avance por um caminho que o leve do Conhecido ao Desconhecido.

O Princípio da Vibração: “Nada está parado; tudo se move; tudo vibra”. Cada nova descoberta científica tende a confirmar o preceito tão antigo. Assim, as diferenças entre as diversas manifestações, de Matéria, Energia, Mente e Espírito resultam, em grande parte, de índices variáveis de Vibração. Quanto mais alta for sua posição na escala, mais alta sua vibração.

O Princípio da Polaridade: “Tudo é Duplo”; tudo tem polos” etc. Tese e Antítese são idênticas em sua natureza, mas diferentes em graus. Os extremos se tocam; tudo existe e não existe ao mesmo tempo; todas as verdades são meias verdades; os opostos são simplesmente os dois extremos da mesma coisa, entre os quais há uma interposição de graus diferentes.

O Princípio do Ritmo: “Tudo tem fluxo e refluxo”; “tudo se manifesta por oscilações compensadas”. Em verdade tudo se manifesta em um movimento mensurado para a frente e para trás. É assim nas coisas do Universo, na criação e destruição dos mundos. Os indivíduos aprendem como usá-lo em vez de serem usados por ele; é este um aprendizado importante para eles.

O Princípio de Causa e Efeito: “Toda Causa tem seu Efeito”; todo Efeito tem sua Causa”. Nada acontece sem razão; o acaso não existe. Há vários planos de Causa e Efeito; os planos superiores dominam os planos inferiores. As massas populares se deixam conduzir docilmente, obedecendo a seu entorno. Os seres superiores jogam o jogo da vida em vez de serem jogados por êle.

O Princípio de Gênero: “O Gênero está em tudo; tudo tem seu Princípio Masculino e seu Princípio Feminino” No Plano Físico manifesta-se como sexo. Nos planos superiores, Mental e Espiritual, assume formas mais elevadas. Todo Princípio Masculino contém o Princípio Feminino; todo Princípio Feminino contém o Princípio Masculino. Nenhuma criação, quer física, quer mental ou espiritual, é possível sem gênero.

III – Os Modernos

Sabedoria das parábolas

Humberto Rohden (2004)

Sinopse

1. O filho pródigo (Lucas 15:11-32)

Esta parábola ensina que culpa e pecado simbolizam o estágio evolutivo do homem através do ego em demanda do Eu.

2. Os convidados do banquete (Lucas 14:15-22)

Esta parábola ensina que o homem necessita sentir-se insatisfeito para suspirar por uma cosmo-plenitude.

3. O rico avarento e o pobre Lázaro (Lucas 16:19-31)

Esta parábola ensina que, enquanto for pecador, o homem não pode esperar libertação definitiva do sofrimento.

4. O joio no meio do trigo (Mateus 13:24-30)

Esta parábola ensina que os maus se exterminam a si mesmos pela não integração na lei cósmica.

5. Casa sobre rocha e sobre areia (Mateus 7:24-28)

Esta parábola ensina que o homem cristificado é como rocha viva, há um ideal supremo em sua vida.

6. Remendo novo em roupa velha – vinho novo em odres velhos (Mateus 9:14-17)

Esta parábola ensina que o livre-arbítrio é um poder criador e transformador que deve nascer de dentro do centro espiritual do homem.

7. O fermento (Mateus 13:13-35; Lucas 13:20-21)

Esta parábola ensina que, como diz Mahatma Gandhi, quando um único homem chega à plenitude do amor, neutraliza o ódio de muitos milhões.

8. A torre e a empresa bélica (Lucas 14: 25-35)

Esta parábola ensina que o homem tem de renunciar a tudo e que seu ego humano tem, a fim de construir, a torre do seu Eu espiritual.

9. O administrador desonesto (Lucas 16: 1-13)

Esta parábola ensina que mais importante que possuir ou não possuir é saber como possuir ou não possuir.

10. As virgens sábias e as virgens tolas (Mateus 25:1-13)

Esta parábola ensina que é necessário manter acesa a luz permanente do Eu divino.

11. O semeador (Mateus 13:1-9; Marcos 4: 3-9; Lucas 8:5-8)

Esta parábola ensina que é necessário semear a verdade e o bem, seja qual for o resultado da semeadura.

12. A pérola preciosa (Mateus 13: 45-46)

Esta parábola ensina que quando o homem descobre o Reino dos Céus, não se interessa mais pelos reinos da terra.

13. Impureza de fora – impureza de dentro (Mateus 15: 10-21)

Esta parábola ensina que toda purificação e santificação do homem vem do despertar do seu Eu divino.

14. O amigo importuno e o juiz iníquo (Lucas 11: 5-8)

Esta parábola ensina que é necessário pedir com insistência a fim de criar um ambiente de receptividade.

15. Maldição da figueira estéril (Mateus 21: 18-22; Marcos 11:12-14)

Esta parábola ensina que o homem deve ser espiritualmente fecundo, mesmo em ambiente desfavorável.

16. A videira e seus ramos (João15: 1-11)

Esta parábola ensina que o uso ou abuso do livre-arbítrio é responsável pelo bem ou pelo mal que o homem fizer.

17. Caprichos pueris (Mateus 11: 16-19; Lucas 7:31-35)

Esta parábola ensina que o homem sapiente não é afetado pela opinião pública.

18. O grão de mostarda (Mateus13: 31-33; Marcos 4:30-34; Lucas 13:18-19)

Esta parábola ensina que homens realmente bons, auto realizados, irradiam poderosas auras, mesmo que ninguém saiba da sua existência.

19. Visão dos tesouros celestes pelo olho simples (Mateus 6:19-24)

Esta parábola ensina que pelo despertar da visão espiritual enxerga o homem a realidade eterna.

20. Os trabalhadores na vinha (Mateus 20:1-16)

Esta parábola ensina que o ego humano deve ser recompensado, mas o Eu divino trabalha de graça.

21. Fé incondicional (Lucas 17:1-6)

Esta parábola ensina que a fé cresce na razão em que o homem se liberta do egoísmo.

22. Luz sob o velador – luz sob o candelabro (Mateus 5:11-16)

Esta parábola ensina que o eu divino é uma luz coberta pelo invólucro opaco do ego humano.

23. A rede e seu conteúdo (Mateus 13:47-52)

Esta parábola ensina que o destino final de cada homem é o resultado do seu livre-arbítrio.

24. A parábola dramatizada do pão e do vinho (Mateus 26:26-29; Marcos 14:22-25; Lucas 22: 18-20)

Esta parábola ensina que pela fé assimila a alma o Cristo divino.

O simbolismo espiritual da parábola do pão e do vinho eclodiu na gloriosa manhã do Primeiro Pentecostes, quando 120 heróis e heroínas conjugaram o espírito do Cristo Carismático e iniciaram a epopeia do verdadeiro cristianismo.

Essa iniciação crística se deu no ano 33 após nove dias de silêncio e interiorização espiritual, no cenário de Jerusalém, que pode ser considerado como o primeiro ashram ou Santuário de Iniciação da Cristandade.

Se a humanidade do Terceiro Milênio quiser realizar a mensagem do Cristo, terá de encontrar o seu Cristo interno em profunda meditação e comungar o Cristo Carismático em espírito e em verdade – e então será proclamado o Reino de Deus sobre a face da Terra e haverá um novo céu e uma nova terra. “Tudo o mais é palha”.

Se o Evangelho é a alma da Bíblia então as Beatitudes são o coração do Evangelho.

Bem-aventuranças

1. Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus.

(A suprema sabedoria e felicidade consiste em ser alguém pela compreensão da verdade libertadora).

2. Bem-aventurados os tristes, porque eles serão consolados.

(Um homem pode parecer triste aos olhos dos inexperientes, mas é profundamente feliz dentro de si mesmos).

3. Bem-aventurados os mansos, porque eles possuirão a terra.

(O homem manso pode parecer um derrotado, mas em todas as suas fraquezas é ele sempre um herói).

4. Bem-aventurados os que têm fome e sede da justiça, porque eles serão saciados.

(A fome e sede da verdade foram, finalmente, saciadas…).

5. Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia.

(A benevolência mística conduz um caminho para a beneficência ética).

6. Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus.

(Para o puro de coração, a beleza e a pureza de Deus transparecem através de todos os mundos de Deus).

7. Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus.

(Um único homem realmente pacificador e pacificado dentro de si mesmo vale mais para a paz universal do mundo do que todos os pretensos fazedores de paz que não realizaram a paz dentro de si mesmos).

8. Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus.

(Quanto mais severamente o homem passar por esse sofrimento, tanto mais esperança tem ele de entrar um dia no mundo glorioso da consciência cósmica do Cristo).

Terminado o discurso, o Mestre acrescentou:

“Vós sois o sal da terra”

“ Vós sois a luz do mundo”

(Quando algum homem já é sal e luz, realiza com espontânea facilidade o conteúdo das Beatitudes).

Carta Encíclica

À luz da fé

Papa Francisco I (2013)

Sinopse

Sobre a fé

1. A luz da fé é a expressão com que a tradição da Igreja designou o grande dom trazido por Jesus. Uma luz ilusória?

2. Para Nietzsche, a fé seria uma espécie de ilusão de luz.

3. Quando falta a luz, tudo se torna confuso. Uma luz a redescobrir.

4. Que esta luz cresça a fim de iluminar o presente até se tornar estrela que mostra os horizontes do nosso caminho.

5. Para os antigos cristãos a fé era uma “mãe”, por que os fazia vir à luz, gerava neles a vida divina.

6. O Ano da Fé teve início no cinquentenário da abertura do Concílio Vaticano II, que fez brilhar a fé no âmbito da experiência humana.

7. O sucessor de Pedro, ontem, hoje e amanhã, sempre está chamado a “confirmar os irmãos” no tesouro incomensurável da fé que Deus dá a cada homem como luz para seu caminho.

Capítulo I – Acreditamos no amor (cf.1 Jo 4,16)

Abraão, nosso pai na fé.

8. Abraão não vê Deus, mas ouve a sua voz, entra em contato com Ele e estabelece com Ele uma aliança.

9. Esta Palavra comunica a Abraão uma chamada e uma promessa, uma chamada para sair da própria terra e uma promessa de uma descendência numerosa.

10. O homem fiel recebe a sua força do confiar-se nas mãos do Deus fiel, aquele que concede o que prometeu ao homem.

11. O mesmo Deus que pede a Abraão para se confiar totalmente a Ele, revela-se como a fonte de onde provem toda a vida.

A fé de Israel

12. A fé de Israel é chamada a um longo caminho até o Sinai, para lá poder adorar o Senhor e herdar uma terra prometida.

13. Acreditar significa confiar-se a um amor misericordioso que sempre acolhe e perdoa, que sustenta e guia a existência.

14. Na fé de Israel, sobressai a figura de Moisés, o mediador, que fala com Jahvé na montanha e comunica a todos a vontade do Senhor.

A Plenitude da fé cristã

15. A plenitude da fé cristã: a fé cristã é a fé no Amor pleno, no seu poder eficaz, na sua capacidade de transformar o mundo e iluminar o tempo.

16. É na contemplação da morte de Jesus que a fé se esforça e recebe uma luz fulgurante.

17. Se Deus fosse incapaz de agir no mundo, o seu amor não seria se quer verdadeiramente poderoso, verdadeiramente real e, por conseguinte, não seria se quer verdadeiro amor, capaz de cumprir a felicidade que promete.

18. Descobrir quanto Deus ama este mundo e o orienta sem cessar para si, leva o cristão a comprometer-se a viver de modo ainda mais intenso o seu caminho sobre a terra.

A salvação pela fé

19. A salvação pela fé consiste em reconhecer o primado do dom de Deus, origem de todo o bem.

20. Moisés diz ao povo que o mandamento de Deus não está demasiado alto nem demasiado longe do homem.

21. O crente é transformado pelo Amor, ao qual se abriu na fé e sua existência dilata-se para além dele próprio.

A forma eclesial da fé

22. A forma eclesial da fé: a vida do fiel faz parte do único corpo que todos os crentes formam em Cristo; para quem foi assim transformado, abre-se um novo modo de ver, a fé torna-se luz para seus olhos.

Capítulo II – Se não acreditardes, não compreendereis (cf. ls 7,9)

Fé e verdade

23. “Se não acreditardes, não compreendereis”; diz Isaias ao rei Acaz. A firmeza que Isaias promete ao rei passa pela compreensão do agir de Deus e da unidade que Ele dá à vida do homem e a história do povo.

24. O homem precisa de conhecimento, precisa de verdade, porque sem ela não se mantém de pé, não caminha.

25. A grande verdade, aquela que explica o conjunto da vida pessoal e social, está sendo posta de lado. Apenas a verdade da tecnologia está sendo considerada.

Conhecimento da verdade e amor

26. A fé transforma a pessoa inteira, precisamente na medida em que ela se abre, quando recebemos o grande amor de Deus.

27. Se o amor tem necessidade da verdade, também a verdade precisa do amor; amor e verdade não se podem separar.

28. O conhecimento da fé ilumina não só o caminho particular de um povo, mas também o percurso inteiro do mundo criado, desde a sua origem até a sua consumação.

A fé com escuta e visão

29. O ouvido atesta não só a chamada pessoal e a obediência, mas também, que a verdade se revela no tempo; a vista, por sua vez, oferece a visão plena de todo percurso, permitindo situar-se no grande projeto de Deus.

30. Os Apóstolos viram Jesus ressuscitado com os seus olhos e acreditaram, isto é, puderam penetrar na profundidade daquilo que viam.

31. Só quando somos configurados com Jesus é que recebemos o olhar adequado para o ver.

O diálogo entre fé e razão

32. O encontro da mensagem evangélica com o pensamento filosófico do mundo antigo constituiu uma passagem decisiva para o Evangelho chegar a todos os povos e favoreceu uma fecunda sinergia entre fé e razão.

33. O desejo da visão do todo, e não apenas dos fragmentos da história, continua presente e cumprir-se-á no fim, quando o homem poderá ver e amar.

34. A luz do amor, própria da fé, desperta o espírito crítico que ajuda a compreender que a natureza sempre ultrapassa a pesquisa.

A fé e a busca de Deus

35.Quem se põe a caminho para praticar o bem, já se aproxima de Deus, já está sustentado pela sua ajuda, porque é próprio da dinâmica da luz divina iluminar os nossos olhos, quando caminhamos para a plenitude do amor.

Fé e teologia

36. A teologia é impossível sem a fé e pertence ao próprio movimento da fé, que procura a compreensão mais profunda da autorevelação de Deus, culminada no Mistério do Cristo.

Capítulo III – Transmito-vos aquilo que recebi. (cf. 1 Cor 15,3)

A Igreja, mãe da nossa fé

37.A fé transmite-se por assim dizer sob a forma de contato, de pessoa a pessoa, como uma chama se acende noutra chama.

38. O passado da fé, aquele ato de amor de Jesus que gerou no mundo uma vida nova, chega até nós na memória de outros, das testemunhas, guardado vivo naquele sujeito único de memória que é a Igreja.

39. Quem recebe a fé, descobre que os espaços do próprio “eu” se alargam, gerando-se nele novas relações que enriquecem a vida.

Os sacramentos e a transmissão da fé

40. A fé tem uma estrutura sacramental; o despertar da fé passa pelo despertar de um novo sentido sacramental na vida do homem e na existência cristã.

41. No Batismo, o homem recebe também uma doutrina que deve professar e uma forma concreta de vida que requer o envolvimento de toda a sua pessoa; encaminhando-a para o bem.

42. A pessoa batizada recebe uma nova identidade filial. Dessa forma, se evidencia o sentido da imersão na água, morte e vida na sua nova existência.

43. Assim, juntamente com a vida, é dada à criança a orientação fundamental da existência e a segurança de um bom futuro; orientação esta, que será ulteriormente corroborada no sacramento da Confirmação.

44. A natureza sacramental da fé encontra a sua máxima expressão na Eucaristia. O pão e o vinho transformam-se no Corpo e Sangue de Cristo.

45. Na celebração dos sacramentos, a Igreja transmite a sua memória, particularmente com a profissão de fé. Todas as verdades em que cremos afirmam o mistério da vida nova da fé.

Fé, oração e Decálogo

46. Há mais dois elementos que são essenciais na transmissão fiel da memória da Igreja: a Oração do Senhor, o Pai Nosso; a ligação entre a fé e o Decálogo.

A unidade e a integridade da fé

47. A fé é una, em primeiro lugar, pela unidade de Deus conhecido e confessado. Depois, porque se dirigi ao único Senhor. Por último, porque é partilhada por toda a Igreja.

48. Dado que a fé é uma só, deve-se confessar em toda a sua pureza e integridade. É assim que ela se mostra universal, católica, porque a sua luz cresce para iluminar todo o universo, toda a história.

49. Como serviço à unidade da fé e à sua transmissão íntegra, o Senhor deu à Igreja o dom da sucessão apostólica. É graças ao magistério da Igreja que nos pode chegar, integra, esta vontade e, com ela, a alegria de a podermos cumprir plenamente.

Capítulo IV – Deus prepara para eles uma cidade (cf. Heb 11,16)

A fé e o bem comum

50. O primeiro construtor é Noé, que, na arca, consegue salvar a sua família. Depois aparece Abraão, de quem se diz que, pela fé, habitara em tendas, esperando a cidade de alicerces firmes. O Deus fiável dá aos homens uma cidade fiável.

51. A Carta dos Hebreus nomeia entre os homens de fé Samuel e David, a quem a fé permitiu exercerem a justiça no governar, aquela sabedoria que traz a paz ao povo.

A fé e a família

52. O primeiro âmbito da cidade dos homens iluminado pela fé é a família, na união estável do homem e da mulher no matrimônio, capazes de gerar filhos.

53. Em família, a fé acompanha todas as idades da vida. A fé faz descobrir uma grande chamada, a vocação ao amor, e assegura que este amor é fiável.

Uma luz para a vida em sociedade

54. Desde o seu início, a história de fé foi uma história de fraternidade. Procurou-se construir a fraternidade universal entre os homens.

55. A fé, ao revelar-nos o amor de Deus Criador, faz-nos olhar com maior respeito para a natureza. A fé ilumina a vida social: possui uma luz criadora para cada momento novo da história.

Uma força consoladora no sofrimento

56. Falar da fé comporta frequentemente falar de provas dolorosas. Moisés tomou sobre si a humilhação de Cristo. O cristão sabe que o sofrimento não pode ser eliminado, mas pode adquirir um sentido: pode tornar-se ato de amor.

57. O sofrimento recorda-nos que o serviço da fé ao bem comum é sempre servido de esperança. Unida à fé e à caridade, a esperança projeta-nos para um futuro certo, que dá novo impulso e nova força à vida de todos os dias.

Feliz daquela que acreditou

58. O evangelista nos fala da memória de Maria, dizendo que conservava no coração tudo aquilo que ouvia e via, de modo que a Palavra produzisse fruto na sua vida. Maria, quando aceitou a mensagem do Anjo, concebeu “fé e alegria”.

59. Na Bem-aventurada Virgem Maria, o crente se envolve todo na sua confissão de fé. Na concepção virginal de Maria garantiu-se, ao Filho de Deus, uma verdadeira história humana, em cuja carne morrerá na cruz e ressuscitará dos mortos.

60. A Maria, Mãe da Igreja e Mãe de nossa fé, nos dirigimos, rezando-lhe:

Ajudai, ó Mãe, a nossa fé.

Abre o nosso ouvido à Palavra, para reconhecermos a voz de Deus e a sua chamada.

Despertai em nós o desejo de seguir os seus passos, saindo da nossa terra e acolhendo a sua promessa.

Ajudai-nos a deixar-nos tocar pelo seu amor, para podermos tocá-Lo com a fé.

Ajudai-nos a confiar-nos plenamente a Ele, a crer no seu amor, sobretudo nos momentos de tribulação e cruz, quando a nossa fé é chamada a amadurecer.

Semeai, na nossa fé, a alegria do Ressuscitado.

Recordai-nos que quem crê nunca está sozinho.

Ensinai-nos a ver com os olhos de Jesus, para que Ele seja luz no nosso caminho. E que esta luz de fé cresça sempre em nós até chegar aquele dia sem ocaso que é o próprio Cristo, vosso Filho, nosso Senhor.

Dado em Roma, junto de São Pedro, no dia 29 de junho, solenidade dos Apóstolos São Pedro e São Paulo, do ano 2013, primeiro Pontificado.

FRANCISCUS

Metanóia

Padre Marcelo Rossi (2018)

Sinopse

1. Metanóia com Maria

A transformação da água em vinho: primeiro, Jesus negou, depois concordou, se transformou.

Uma metanóia transforma um ato, transforma uma vida.

2. Metanóia em nossos relacionamentos

Os primeiros cristãos repartiam o que possuíam e permaneciam unidos pelo amor. Coloque os dons que tem sempre a serviço do próximo.

3.Metanóia em meio às provações

O que a argila nas mãos do oleiro, assim pois vós nas minhas, casa de Israel.

Sejam quais forem as provações pelas quais passar na vida, entenda que Deus nunca o abandonará.

4. Metanóia em nossos pensamentos

A inveja e a ira abreviam os dias e a inquietação acarreta a velhice antes do tempo.

Não importa se ontem nada deu certo, hoje é um novo dia. Creia e confie.

5. Metanóia através da leitura

No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus.

Leia sempre, e a metanóia transformará sua vida.

6. Metanóia em nossa humanidade.

Todos vós sois um em Cristo Jesus, verdadeiramente a descendência de Abraão, herdeiros segundo a promessa.

Pense na humanidade com compaixão, amando e respeitando aqueles que estão ao seu redor.

7.Metanóia para nossa saúde e aceitação de limites

A hemorroíssa, um cego, Lázaro.

Mantenha-se firme na fé, apesar da doença, grato e alegre, apesar do sofrimento.

Cada dia é um novo degrau que subimos para chegar a Deus.

8. Metanóia pelo poder da oração e da meditação.

Tudo quanto fizerdes, por palavra ou por obra, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele Graças a Deus Pai.

A cada novo dia haverá sempre um novo versículo, uma nova meditação, uma nova inspiração do Espírito Santo.

9. Metanóia em nosso desânimo

Em tudo somos oprimidos, mas não sucumbimos.

Corramos a cada dia, amados, com força e coragem em direção ao nosso objetivo maior: Deus

10. Metanóia em nossa autoestima

Deus não nos deu um espírito de timidez, mas de fortaleza, de amor e de sabedoria.

Não se preocupe com o que os outros falam de você e não se deixe abater por críticas destrutivas.

11. Metanóia pela cura interior

Vivei sempre contentes. Orai sem cessar. Esta é a vosso respeito a vontade de Deus em Jesus Cristo.

A cura interior é um processo em que, a partir de nossa fé, o Espírito Santo trata das feridas da nossa alma.

12. O campo de batalha espiritual na mente.

Não vos inquieteis com nada!

Em todas as circunstâncias apresentai a Deus as vossas preocupações, mediante a oração, as súplicas e a ação de graças.

A metanóia acontece em nossa vida a partir de um tripé:

1. Intimidade com Deus por meio da oração.

2. Eucaristia como rotina. Quanto mais você comungar, mais força terá em sua caminhada.

3. Leitura de livros: boas leituras nos moldam e nos elevam segundo o coração de Deus.

O problema de Deus

Padre Leonel Franca S.J (2019)

Sinopse

LIVRO I – A solução dos negativistas

Capítulo I – Importância eterna do problema:

O problema de Deus vem situar-se, eternamente atual, no âmago da nossa como na de todas as civilizações. Impossível pensar e viver como homem sem assumir uma atitude em face do Absoluto. Tal é a essência do Infinito, e daí a importância eterna de Deus.

Capítulo II – Atitudes do pensamento contemporâneo.

Para defender a causa de Deus e a causa do homem é mister restaurar a real função da inteligência na plenitude dos seus foros e para esse fim descer mais fundo na origem do mal que se sintomatiza em tanta variedade contemporânea de tentativas funestas e baldadas.

Capítulo III – Nas origens do agnosticismo contemporâneo:

1. Agnosticismo empírico: fenomenismo de Hume; e positivismo de Augusto Comte.

2. Agnosticismo Kantista: cristicismo transcendental: “ É absolutamente necessário que nos compenetremos da existência de Deus, mas não é tão necessário que a demonstremos”.

Capítulo IV – O princípio de causalidade

O princípio de causalidade pertence a esta categoria de verdades, luminosas por si, necessárias e universais, nervo vital de toda a demonstração, fundamento da ciência.

Capítulo V – O materialismo:

O materialismo é o mais pobre e o mais funesto dos sistemas. Nada de nobre, nada de elevado, na ciência, na arte, na moral, na vida dos indivíduos e das sociedades produziu ou pôde ele produzir nunca na história da humanidade.

Capítulo VI – O ateísmo:

O ateísmo aparece em indivíduos particulares com todos os caracteres de uma anomalia.

LIVRO II – Demonstração positivista

Capítulo I – Argumento do movimento:

Deus é o princípio de todo movimento, a que se acha suspensa a evolução universal, é a fonte donde promana toda a vida, é, como conta a nossa liturgia, na sua suprema imobilidade, o vigor tenaz, a conservação de tudo que é, que se inove e que vive.

Capítulo II – Argumento da contingência:

A prova da contingência é particularmente rica em repercussões religiosas. Deus nela nos aparece como o Ser, que, só, é; a densidade plena da fórmula bíblica: “ego sum qui sum”; todo universo criado dele e por ele é e dele essencialmente depende.

Capítulo III – Argumento da finalidade:

§1 – Teologia cósmica: no Universo há ordem e, portanto, finalidade; a ordem cósmica não se explica sem uma inteligência ordenadora.

§2 – Prova teleológica: os seres e antes de tudo o homem têm uma finalidade, uma razão de ser.

§3 – Desordens cósmicas: como nas outras provas examinadas anteriormente, encontramo-nos também aqui diante do Infinito, com a sua existência irrecusável e a sua incompreensibilidade essencial.

§4 – O problema do mal: o mal não entrou no mundo pela mortalidade da matéria, mas por uma iniciativa infeliz do espírito. E todo cortejo de males que desde então aflige o homem entrou-lhe na vida como um castigo da grande infelicidade inicial.

Capítulo IV – Argumento deontológico:

O argumento deontológico tirado da ordem moral leva-nos a Deus Santo.

NOTA FINAL

É tempo de concluir. E concluímos com um novo argumento que vem confirmar todos os anteriores: a constância universal do gênero humano na afirmação da existência de Deus.

Sim, toda a humanidade, em todos os tempos e em todas as latitudes, adorou um Supremo Legislador dos homens e das coisas.

Para ser ateu é necessário sair do convívio social, renegar este patrimônio comum da família humana, é necessário não pensar como pensam todos os homens, é necessário ter perdido o senso comum.

Já entre os antigos dizia Plutarco num trecho tantas vezes citado: “Podereis encontrar cidades sem muralhas, sem ginásios, sem leis, sem moedas, sem cultura literária; mas um povo sem Deus, sem orações, sem juramento, sem ritos religiosos, sem sacrifícios, nunca jamais foi visto”!

E o testemunho de Plutarco é confirmado por Platão, Aristóteles, Cícero, Sêneca, etc. Sobre estes testemunhos volveram os séculos. Descobriram-se novos continentes, exploraram novas regiões, sulcaram-se mares nunca dantes navegados.

A humanidade civilizada dilatou suas fronteiras; novas raças, novas nacionalidades vieram tomar parte do convívio dos povos cultos.

Os grandes antropólogos do século XIX, Roskhoff de Viena ou Quatrefages em Paris, falam em nossos dias como há vinte séculos falaram Cícero e Sêneca.

Eis aí um fato incontestável. A crença em Deus e a religião que nela se baseia são um fato individual, porque todo homem, desde a criança, que junta as mãozinhas para balbuciar o nome de Deus, até o marinheiro, que o invoca olhando da nau os furores do oceano, cultor das dúvidas apaixonadas, sente naturalmente a presença de Deus. Mas, sobre ser um fato individual é um fato social, universal.

E eu concluo que nunca o homem é tão grande como quando, reconhecendo a humildade de sua pequenez, sabe proclamar, adorar e amar a infinita realidade de Deus.

Pérolas de sabedoria

Sri Ramana Maharshi (2021)

Sinopse

PARTE I – Pérolas de Bhagavan

Capítulo 1 – Felicidade

Todos os seres desejam sempre a felicidade, uma felicidade sem qualquer traço de tristeza.

Capítulo 2 – O ser e o não ser: a Realidade e o Mundo

A existência ou Consciência é a única Realidade. O cosmos surge junto com quem o vê. Sem um observador, o mundo e seus alegados males não existem.

Capítulo 3 – Mente

A mente é uma força maravilhosa inerente ao Eu Real. A mente e a respiração têm a mesma fonte. Se controlamos a mente, não importa onde vivemos.

Capítulo 4 – “Quem sou eu? ”

Se você conhecer a si mesmo, nenhum mal poderá lhe acontecer. Você deve descobrir onde em você surge o pensamento “eu”, que é a fonte de todos os outros pensamentos.

Capítulo 5 – Entrega

A devoção é a mãe da Sabedoria. Entregue-se a Deus e aceite a Sua Vontade. Ele sabe o que é melhor para você, e como e quando fazê-lo.

Capítulo 6 – Os três estados: Vigília, Sonho e Sono

Não há diferença entre os estados de sonho e vigília. Ambos são produtos da mente. Tudo o que vemos, quer seja dormindo ou no estado de vigília, é um sonho.

Capítulo 7 – A Graça e o Guru

Deus, o Guru e o Eu Real são a mesma coisa. Contudo, cada um deve seguir, pelo seu próprio esforço, o caminho indicado por Deus ou pelo Guru e liberta-se.

Capítulo 8 – Autorrealização

Tudo que precisamos fazer é permanecer em silêncio. A paz é nossa verdadeira natureza. O poder da Autorrealização é superior a todos os poderes ocultos.

Capítulo 9 – o Coração

O Eu é o Coração. O Coração é autoluminoso. A Luz surge do Coração e atinge o cérebro, sede da mente.

Capítulo 10 – A renúncia

A renúncia está sempre na mente. Tudo acontece de acordo com o destino. Se nos mantivermos fixados no Eu Real, as atividades continuarão a acontecer do mesmo jeito e seu sucesso não ficará comprometido.

Capítulo 11 – O Destino e o Livre-Arbítrio

Sucesso e fracasso são consequência do destino e não da força de vontade ou da falta dela. Devemos tentar obter equilíbrio mental em quaisquer circunstâncias. Isto é força de vontade.

Capítulo 12 – O Sábio

Um sábio alcançou a libertação ainda em vida, aqui e agora. O sofrimento não é sentido pelo sábio, que já transcendeu a falsa identificação do Eu com o corpo. A não ação do sábio é na verdade atividade incessante.

Capítulo 13 – Diversos

IV – O meu viver

Tenho noticiado o pensamento dos antigos e dos modernos sobre a verdade, ocorreu-me noticiar a minha vida do ponto de vista da minha verdade. Nasci nos primeiros momentos do dia 18 de agosto de 1928. Minha mãe determinou que eu só seria batizada no dia 24 de maio de 1929, dia de Nossa Senhora Auxiliadora; e assim foi.

Fui consagrada a Nossa Senhora da Piedade, como todos da minha família. Fui preparada para a Primeira Comunhão. Confessei e comunguei até os 12 anos de idade, quando, então fui à missa de domingo, sem falta até esta idade. Minhas reflexões sobre a religiosidade levaram-me a dispensar tais rituais desde então, sem nenhum sentimento negativo, pelo contrário, com muito boas recordações.

Senti-me muito feliz de ter sido vinculada a uma religião, e me sinto muito bem assim. Mas não me sentia obrigada aos rituais, por me sentir sempre ligada ao Criador, cuja existência me parecia indiscutível e necessária para a minha noção de vida e de verdade e para o meu equilíbrio mental.

A crença em um Criador de tudo que é sempre pautou meus raciocínios no sentido de embasar todos os meus pensamentos e todas as minhas reflexões. Assim como abandonei os rituais, pautei o meu viver no cumprimento da Lei de Moisés e na beleza poética das Bem-aventuranças. Os dez mandamentos de Deus entregues a Moisés parecem-me um primor de ética, sem falhas.

A humanidade, com tais aparatos, parece-me destinada ao bem e à paz. Durante toda a minha vida, jamais soube o que era pecar, ou, mesmo, errar. Sempre vivi dedicada ao bem, meu, e de todos que comigo conviviam. Meu dia a dia sempre foi trabalhar e estudar, preparando-me para o exercício da minha profissão, educar, e contribuir para o bem-estar da minha família e das famílias dos meus servidores.

Por volta dos 17 anos já tendo lido todos os romances das coleções Azul e Rosa para meninas e moças e os cem romances da Coleção do Reader’s Digest, os melhores da literatura universal, mergulhei no estudo da Bíblia, Antigo e Novo Testamento, e das Obras Completas de Sigmund Freud.

Na juventude e na velhice, dediquei-me à teologia, à filosofia, à sociologia, à psicologia, à ética e à mística. Mergulhei nos livros de história das civilizações e das religiões. Estive atraída pela Doutrina Secreta e pelas pesquisas dos médiuns. As notícias esotéricas sobre o universo, sua origem, suas mudanças passadas, atuais e futuras me fascinam.

Impressiona-me, sobremaneira, a ignorância da humanidade. Seu passado está gravado em todos os seus monumentos e escritos. Seu presente mostra com toda a clareza seus erros profundos de governança e primitivismo de costumes. Os horrores das guerras mostram, sem peias, a sociopatia reinante. Parece que nunca houve um decálogo, uma crença em Deus, um destino luminoso traçado pelos céus. O mundo mergulha na descrença. Onde estão as religiões?

V – Conclusão

A humanidade, angustiada, vem elaborando seus códices, desde sempre, com histórias fantásticas sobre o início e o fim dos tempos, dando um cunho absurdo ao medo e à raiva, aos debates e à fantasia de infernos e céus eternos, esperando, os primeiros, os pecadores, e, os segundos, os puros de coração. Desse modo, impossível se faz um conclave que se atualize quanto a princípios razoáveis, a realização de diretrizes espirituais para o mundo. É necessário que, inicialmente, uma religião se ocupe em eliminar o pecado, o castigo, o inferno, e raciocine em termos de realidade, de um mundo criado por Deus e, portanto, feito pela vontade divina.

Uma vez que Deus criou o mundo ao seu gosto, o indivíduo não pode errar sem o consentimento Dele. Pecar, então, nem se fale! Como pode o indivíduo pecar, isto é, agir contra a vontade de Deus, seu criador? Um códice, portanto, necessita, antes de mais nada, abolir as palavras que cultivam a ignorância entre os povos, pecado, castigo, inferno. Qual a Religião capaz de abrir mão desse absurdo, que alimenta o progresso dos líderes religiosos poderosos, que enriquecem e que constroem suas Igrejas fabulosas com o óbolo dos fiéis. Concluamos, então, que nenhuma das Igrejas que dominam as nações tem moral para esclarecer as mentiras que pregam aos povos ignorantes desde sempre.

Uma equipe capaz de compreender o verdadeiro sentido da religiosidade, religação com o mistério, deve ter um conhecimento atualizado do progresso técnico, necessário para a evolução e saúde das nações, que vá propiciar uma evolução espiritual, no mínimo, no mesmo teor. Assim sendo, em primeiro lugar, tal equipe necessita ter o estofo moral de admitir que a existência do espírito, tal como o concebem os crentes, é uma hipótese para os não crentes, um direito de se posicionarem, diante do mistério. Uma religião universal deve congregar todos os indivíduos, crentes, duvidosos, negativistas, num só corpo.

A religião se ocupa da necessidade da existência de Deus, quer como fé, quer como dúvida, quer como negação. A verdadeira Religião, aquela que se ocupa dos crentes, dos duvidosos, dos negacionistas, busca congregar todos os indivíduos, conforme suas posições, num todo em que o diálogo possa associá-lo todos numa saúde mental coletiva que lhes garanta o essencial, a irmandade no mistério. Tal visão da religiosidade, deve incluir os estudos das religiões do passado naquilo em que elas se uniram para maior vivência da fé na existência de Deus e na esperança da criação de um códice verdadeiramente divino.

A humanidade, no seu todo, necessita de um planejamento didático para o ensino, desde os primeiros anos até a universidade, de forma a garantir a utilização de métodos e meios os mais eficientes possíveis e sustentar uma grade de ensino própria para cada nível, fundamental, médio, superior, que ofereça os ensinamentos próprios a cada idade, sobre o universo em que vivemos, e como nele vivemos. Tal planejamento necessita de técnicos de cada tipo de ensino a ser oferecido e de especialistas no conjunto do programado, para que nada se perca no objetivo final de trabalhar a inteligência.

No tocante ao tratamento do conteúdo programático e da organização geral dele em todos os níveis, especialistas não faltam. No entanto, no tocante à formação do caráter, ao qual venho dedicando toda a minha vida, espantosamente nada há. Programei o ensino dessa disciplina e o divulguei para o mundo todo, por meio de missiva a todos os dirigentes das nações do mundo, sem uma reposta sequer. Uma vez que elaborei uma teoria e uma técnica sobre a evolução do ser humano e do grupo humano, organizei uma bibliografia em duas coleções denominadas, respectivamente, “Surge uma Aurora” e “Uma luz no Caminho”, para a feitura das aulas.

O programa que elaborei para a disciplina “Formação do Caráter”, assim se dispõe: no ensino fundamental, no 1º ano, a introdução; no 2º ano, o ser de angústia; no 3º ano, o ser de medo; no 4º ano, o ser de cólera; no 5º ano, o ser de farsa; no 6º ano, o ser prático, no 7º ano, a sexualidade; no 8º ano, a religiosidade, no 9º ano, o ser querelante. No ensino médio, no 1º ano, ainda o ser querelante; no 2º e 3º anos, o ser pacificador. No ensino superior, no 1º ano, o ser comunitário; no 2º ano, o ser humanístico; no 3º ano o ser cósmico; no 4º ano, a mística. De fato, a programação da disciplina pode acomodar-se às condições que o ensino possa levar em conta. O importante é que o aluno aprenda o que dele se espera.

No meu afã de contribuir para a formação do caráter da humanidade, indispensável para o embasamento que permite o livre arbítrio que possibilita a felicidade e a paz, cheguei a escrever para a Rainha Elizabeth II da Inglaterra e para o Papa Francisco I da Igreja Católica Apostólica Romana, e não obtive resposta. O Palácio do Planalto encaminhou meu pedido ao Ministério da Educação, para estudo. Posso confirmar que é necessário que o indivíduo creia em Deus, para poder articular suas angústias, seus medos e suas raivas numa adoção do caminho do bem, ao invés de se perder na conquista do poder e das riquezas, por si só, inúteis.

É indispensável que os dirigentes religiosos se reúnam em uma única irmandade da fé na existência de Deus e se dediquem ao ensinamento dessa verdade a todos os seus concidadãos. Cada indivíduo tem direito à sua crença: de que Deus não existe; de que Deus existe, mas a eternidade da alma não; de que a eternidade da alma existe. A humanidade encontra-se estagnada na crença no pecado, no castigo, no inferno, o que é um primarismo das religiões pregadas desde há muito tempo, e que perdura nos indivíduos infantis. O caráter do adulto é que vai permitir o progresso da humanidade, sabendo que a verdade sobre o espírito e seu destino só ocorrerá após a morte do corpo.

Amém! Assim seja!

Maria Auxiliadora de Souza Brasil

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